E-Klubo Jules Verne

março 10th, 2010 by rcandido

Esperanta Klubo Jules Verne

Está para ser fundado oficialmente o Clube Esperantista Jules Verne e para homenagear publico aqui um texto que fala sobre a relação de Julio Verne com o Esperanto e alguns vídeos interessantes sobre este autor.

Aspecto desconhecido de Jules Verne

(André Panchaud)

O centenário da morte de Julio Verne (1828-1905) foi marcado por abundantes trabalhos e artigos obre o autor e sua obra. Aparentemente tudo foi dito a respeito do tema. O que de novo ou não publicado se pode ainda descobrir?
[1]

Embora seja campo inexplorado, o qual nenhum intérprete da obra verniana tenha estimado digna de evocar pela memoria. O Autor de “Viagens Extraordinarias” (Voyages extraordinaires) sempre sonhou com uma sociedade ideal constituída de cidadãos responsáveis e prudentes, e uma humanidade mais culta e justa, posicionando-se mais zelosamente a respeito de seu destino sem a ajuda de algum deus ou providencia humana. Esta humanidade – para poder viver mais harmoniosamente – deve possuir recursos universais de comunicação, uma língua comum.

Jules Verne estava convicto que uma lingua construida universal poderia ser viavel. Ele aludiu isto em “20.000 leguas submarinas” (Vingt mille lieues sous les mers). A equipe do Nautilus consistia de pessoas de diversas nações: Espanhois, turcos, arabes, hindianos, capazes de intercomunicar-se somente por um “idioma estranho, unico e absolutamente incompreensivel“. Tratava-se de uma linguagem conhecida apenas por eles, uma lingua inventada, a qual não puderam compreender os ‘hospedes’ embarcados contra a vontade.

“Eis o desagradavel em não se conhecer todas as linguas, observa um dos personagens do romance, ” ou a desvantagem de não se ter apenas uma lingua”.

Foi escrito pelo autor “idioma sonoro, harmonioso, flexivel, o qual possui vogais aparentemente submetidas a acentuação bastante variavel“.

A menção a este idioma repetiu-se uma dezena de vezes na obra. Martela no texto de Jules Verne a alusão a lingua sonore, harmonieuse, flexible”, o qual todo esperantista pode encontrar em muitos livros e textos dedicados a Lingua Internacional: “belsona, harmonia, fleksebla”. Conclusão: a tripulação do Nautilus esprimia-se em esperanto.

Infelizmente este argumente confronta com um importante contra-argumento. 20.000 leguas submarinas publicou-se pela primeira vez na “Revista de educação e recreação (Magasin d’éducation et de récréation) em 1869. Logo dezoito anos antes do aparecimento da tradução francesa da brochura de Zamenhof entitulada “Lingua internacional do Dr. Esperanto” (1887). Em 1869 Jules Verne não poderia saber sobre uma lingua ainda não existente. Poderia tratar-se do Volapük? Também não. O primeiro livro de estudos sobre volapük surgiu somente em 1880. Alias as qualificações de “sonora, harmoniosa, flexivel” não convém à deselegante e complicada linguagem do padre alemão Schleyer.


Aqui manifestou-se anacronismo, o qual podemos logicamente atribuir a posterior rearranjo do texto original durante as reedições.


Todos sabem que Jules Verne teve paixão pela Lingua Internacional. Sua sobrinha, senhorita Allotte de la Fuÿe, atesta sobre isto em sua correspondencia: – “Jules Verne é partidario do esperanto. Ele intenta dedicar um volume a este tema e opina que a chave da lingua humana perdida na torre de Babel deve estar forjada artificialmente”.

Em 1903 tornou-se membro de um grupo esperantista na cidade de Amiens onde morava o escritor. Jules Verne aderiu prontamente. Ali ele tinha dois amigos: Charles Tassencourt, o presidente, e Joseph Delfour, famoso esperantista. Ambos propuseram a presidencia honoraria ao romancista, o que ele aceitou favoravelmente. Em todo caso ele prometeu compor um romance louvando os meritos do esperanto.

Ele manteve sua promesa. Porém devido a doença, cansaço, um pouco de surdez e cegueira ele não pode terminar a obra. Até a sua morte (24 de março de 1905) ele havia escrito somente os quatro primeiros capitulos. É interessante atentar para alguns ditos colocados na boca de personagens do conto.

O esperanto é uma língua simples, flexível e harmoniosa, útil tanto para uma prosa elegante como para inspirados poemas. É capaz de expressar todos os pensamentos e os mais delicados sentimentos da alma. É a língua internacional ideal. A principal idéia para esta formação é a eleição dos radicais proporcionalmente as suas internacionalidades, estes foram eleitos conforme segundo votos internacionais”- Jules Verne

E o autor escreveu que O estudo do esperanto de forma alguma apresenta dificuldades para a pronuncia ou a memoria. Todos aprendem-no como respiram….

Este ultimo trabalho, intituladoViagem de Estudo› (Voyage d’étude) [2], é a ultima obra sobre a qual trabalhou meu pai”, escreveu seu filho Michel em 30 de abril de 1905. Até a morte do escritor o mais rudimentar esboço consistia de quatro capítulos mais o começo do quinto. O Tema do conto a aventura de uma missão colonial na África. Um dos temas deveria ser o esperanto.

Michel Verne retomou o manuscrito de seu pai para redigi-lo “A Estonteante aventura da missão Barsac (L’étonnante aventure de la mission Barsac). Ele empreendeu um verdadeiro arremedo do «Viagem de estudo» condensando os primeiros quatros capítulos em um só e não respeitando o local e data os transladando do Congo francês a Guiné. Por outro lado seu romance, O qual finalizado consistia de 15 capítulos, trata somente sobre colonialismo excluindo todas as alusões ao esperanto. Estes fatos Charles-Noël Martin não julgou serem dignos de menção no prefácio da “ A Estonteante aventura da missão Barsac[3].

Foi o destino de Jules Verne que ele morresse somente 5 meses antes do 1º Congresso Internacional de Esperanto organizado em Bolonha de 5 á 13 de agosto de 1905. A celebração do centenário deste evento evidenciou a vitalidade desta língua, a qual o autor de “Viagens Extraordinárias” considerou -”O Mais seguro, o mais rapido veículo da civilização”.

O atual acesso à Internet torna possível aprender sobre uma língua viva que, até agora, uma conspiração silenciosa na história tinha tentado sufocar.

Ao antever o belo futuro prometido ao esperanto, única língua verdadeiramente universal, Jules Verne enxergou certo.

[1] Do Francês “Trait d’Union”, nº 166, dec. 2005, p. 19-21, traduzido por R. Schneller e isto apareceu em esperanto em «SES informas», 3/2006, p. 25.

[2] Publicou-se no “Bulletin de la Société Jules Verne”, nº98, segundo trimestre 1991.

[3] Editions Rencontre, Lausanne, 1971.

El Enigma Verne

Visionários:

Uma boa dica para quem quiser saber mais é este livro.

Por Cândido Ruiz

Insofismavel

fevereiro 9th, 2010 by rcandido

Sou, insofismavelmente, um mentiroso
Um mentiroso de coração quebrado
Perdido em mentiras que eu mesmo criei
E que, por comodidade, aceitei como verdades
Fingi ter cola para, como disse Kurt Cobain
Colar os pedaços quando caísse das nuvens
Mas como ele também disse
“Ela virá como fogo para queimar todos os mentirosos”
Não Frances Farmer, A Tristeza
E do mesmo jeito
“Sinto a falta do conforto em estar triste”
Triste como agora
Quem dera acreditasse que estou mesmo triste
Que estava feliz
Entretanto, meu poder de persuasão esvaiu-se
Minha capacidade de criar falsas lembranças foi para o ralo
Então mergulho na merda
E aqui estou eu, dividindo meia garrafa de absinto com metade de mim
Dividindo minha insônia com o quarto vazio e a casa dormindo
Mas é o que acontece quando se apaixona pelo impossível
Acaba-se sozinho e vazio
Esqueci-me que sou a dama que penetro e o travesseiro sobre o qual choro
Mesmo assim quis ser eu o beija-flor de Heinrich Heine, em Neur Frühling,
Mas fui a peste que acabou com as rosas
E o veneno fumegante que provei todas as manhãs na xícara sem alça
Mostrei-me a perturbação consciente do insano no espelho
Com feridas cicatrizadas, mas não saradas por dentro
Cortes profundos jamais saram.
Bem disse aquela música, “Death, come near me”
“Eu procuro a noite e espero encontrar um amor”
Mas impossível alguém que não ama,  apenas finge, encontrar tal sentimento
Como disse aquela música
“De dia eu durmo, de noite eu choro”
Trancado dentro de mim mesmo
Aqui sou eu
Metade carne, metade cinzas
Todo em pedaços, uma parte em pó
Aqui estou, invisível
Aparecendo para todos
Sozinho
Aqui está algo muito primitivo
O instinto de buscar a felicidade
Esqueci-me de confessar-me
Se estou confundindo as coisas, devo ser o maior estúpido conhecido
Confundir-se durante três anos seria demasiado burro de minha parte
E cruel comigo mesmo
Típico de minhas personalidades sentimentalmente sádica e masoquista
Esperar pelo que não chega
E chegou o fim
Esqueci-me que sou a lâmina que me degola e o sangue que agora jorro
A morte que me carrega e os vermes que me devoram

Poema de Einsamer Wolf

 

Algo sobre a Artemisia Absinthium

fevereiro 8th, 2010 by rcandido

Algo sobre a erva Artemisia Absinthium…

 

Planta perene bastante folhosa, com caules eretos e folhas penatipartidas alternas. Toda a planta está coberta de penugem cinzenta-prateada. Os caules terminam em panículas de capítulos amarelos. Os frutos são aquênios. O absinto cresce na Europa, Ásia e África, em locais secos, entre as associações herbáceas, como erva daninha. É utilizada desde a Antiguidade para tratar perturbações digestivas.

Colhe-se o caule com folhas, que é cortado a cerca de trinta centímetros do cimo do caule. Arrancam-se ao mesmo tempo as folhas da roseta e do resto do caule. A principal substância ativa é um óleo essencial que contém tuiona e tuiol, um suco amargo, a absintina, ácidos orgânicos e taninos. As partes ativas são muito amargas. São utilizadas em tratamentos internos, quer puras quer misturadas, para estimular o apetite, a secreção dos sucos gástricos e da bílis, contra as cólicas intestinais e os parasitas intestinais (como estomáquico, amargo e colagogo). Prepara-se uma infusão à razão de uma ou duas colheres de café de caules cortados por chávena de água ou consome-se diretamente o pó na dose de um grama três vezes por dia. A decocção de absinto é utilizada em gargarejos e compressas sobre as contusões. O caule fresco permite isolar o óleo essencial que entra na composição de uma tintura para aliviar as cãibras. Um consumo prolongado, sobretudo de bebidas alcoólicas à base de absinto, provoca habituação que se manifesta por cãibras, perdas de conhecimento e mesmo perturbações nervosas irreparáveis.

 

Por Cândido Ruiz

Aproveitando o ensejo… lhes oferto um drink ;)

Je via sano! (A vossa saude em Esperanto)

Dita Von Teese – The Absinthe Glass

Казароза

fevereiro 2nd, 2010 by rcandido

md_posterTitulo Original: Казароза

País: Rusio

Lingua: russa

Ano: 2005

Genero: Suspense, policial, drama

Diretor: Alona Demjanenko

Elenco: Oksana Fandera, Jevgenija Krjukova, Aleksej Serebrjakov, Vladislav Galkin, Jegor Berojev, Daniil Spivakovskij, Jekaterina Vuliĉenko, Viktor Verĵbickij, Kajsim Averin, Anna Bolŝova, Dmitrij Ŝevĉenko, Aleksander Likov, Anatolij Ĵuravlov, Petr Veljaminov, Kirill Lavrov, Ksenija Rappoport, Lija Aĥedĵakova

Duração: 3 partes de 52 min cada.

IMDb: ID 0959401

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Sobre o filme:

No ano de 1920. Em uma cidade provinciana chega uma companhia itinerante com uma famosa concertista Zinaida Kazaroza. Um antigo admirador o jornalista Sveĉnikov a persuade a cantar no clube “Espero”. Durante o concerto no clube ela é assassinada e o assassino não pode ser identificado. Deste momento em diante Sveĉnikov decide que ele deve encontrar o assassino…

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O Mistério de sua alma esta escondido no mistério de sua morte”.

Membros de uma misteriosa seita, um idista, as sassinos e exr-evolucionários(bolchevic’s), esperantistas e romances secretos, todos compõem a trama intrincada de “Kazaroza” o filme dividido em três partes do romance de mesmo nome escrito por Leonid Juzefoviĉ.

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Kazaroza” é um romance policial sobre eventos ocorridos na Rússia durante a guerra civil do começo do seculo XX. Editado no ano de 2002 e já em 2003 finalista de prestigiado concurso de literatura “Russian Booker Prize“.

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Filmagem

Sob encomenda do “Primeiro Canal”, canal aberto de televisão transmitido a toda a Rússia, foi filmado em três partes o film e “Kazaroza”. O roteiro foi escrito pelo próprio Leonid Juzefoviĉ, mas m esmo assim possui grandes diferenças em relação ao livro, o romance ter mina de forma diferente e com outro assassino.

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Nos extras do DVD de língua Russa existe um filmo sobre, uma narrativa sobre elementos adicionais, sobre a ideia, sobre o Esperanto. Também duas entrevistas com dois famosos esperantistas, Georgij Kokolija e Viktoro Aroloviĉ, o ultimo até mesmo canta o hino “Espero”.

Por Cândido Ruiz

P.S.: Possui algumas inconsistencias históricas que só são perceptiveis por esperantistas, idistas e curiosos, mas nada grande. ;)


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Pernod Fils

janeiro 29th, 2010 by rcandido

Pernod e Pastis

Um grande amigo me presenteou recentemente, ele trouxe uma garrafa de Absinto Pernod Fils para bebermos juntos (calma, não bebemos a garrafa toda, só uma taça cada um, risos) mas vamos direto ao ponto.

O Pernod Fils era o tipo o mais popular de absinto antes de 1915 (ano em que foi proibido na maior parte da Europa). O sabor predominante no Pernod Fils, como todo o absinto, era o anis, que tem um gosto notadamente licoroso. Como a maioria dos absintos, o Pernod Fils foi produzido macerando-se as ervas o grande absinto, erva-doce, melissa e anis em um alambique de cobre onde fossem destiladas, para produzir um licor transparente.

Uma parte do produto destilado foi embebida então com mais ervas de coloração verde, tais como o hissopo e o pequeno absinto, para produzir um licor verde-colorido que então fosse filtrado e misturado com a parte principal. Ista era na maior parte para dar sabor e aroma adicionais ao absinto, mas igualmente tinha o benefício de realçar seu apelo visual. O produto final foi reduzido a 68% de álcool.

As origens deste tipo de absinto tiveram origem por volta de 1792, o que lhe faz o mais velho de todos os tipos dos licores que nós chamamos de absinto hoje. De acordo com a lenda neste ano em Neuchâtel – Suiça que o Dr. Pierre Ordinaire produziu um licor de absinto feito com anis, melissa e camomila. A receita entrou então as mãos do Pernod de Henri Louis e Daniel Henri Dubied que abriram a primeira destilaria de absinto em Couvet na Suiça, no ano de 1797.

Pernod construiu mais tarde uma outra destilaria em Pontalier na França em 1805. Deve-se a isto Pontarlier tornar-se para sempre uma das cidades das mais famosas do absinto em toda a Europa. Em 1901, um incendio tenebroso devorou a fábrica, destruindo a destilaria original (falaremos a respeito disto em outro momento). Uma nova destilaria, maior foi construída em seu lugar e passou a produzir 30.000 litros de absinto por dia.


Após a proibição passaram a fabricar pastis* sem a adiçao da Artemisia absinthium. Fizeram isto com algum sucesso, deixando-nos com a companhia francesa moderna do Pernod-Ricard. Pastis são bebidos a mesma maneira que o absinto, usando um vidro alto, do estilo cálice, um jarro de água gelada ou de uma fonte, um cubo de açucar, e uma colher entalhada em que o cubo de açúcar é colocado e desintegrado pelo gotejar da água (o uso moderno dilui simplesmente os pastis com a água fria).

Hoje, com a legalização de baixos níveis de Thujone bebidas alcoólicas na Europa, o Pernod-Ricard tentou recriar o que pensaram ser o absinto novo da Pernod-Fils. Com o absinto que ganha algum estrelato comercial aparecendo em uma escala dos filmes, incluindo do From Hell, Dracula de Bram Stoker e Moulin Rouge, o absinto novo da Pernod teve algum sucesso moderado por toda França e outros países na União Europeia.

A propósito o ultimo post foi sobre van Gogh e como já dito outras vezes muitos artistas mencionaram o absinto em suas obras… acima deixo uma obra de Monet: O Bebedor de absinto”.



A algum tempo drinques foram criados para homenagear os mais célebres apreciadores do mito, como Hemingway (duas doses de absinto diluídas em uma taça de champanhe com gelo) e Monet (uma dose de absinto e duas doses de soda misturadas com hortelã masserada e gelo).

Seja da forma que for um bom absinto é sempre bem vindo… alguem por ai quer experimentar um Pernod Fils?

*A palavra pastis provém do occitano provençal pastís, Significando pasta ou mistura, mas também aborrecimento, situação desagradável ou confusa. O Pastis é o resultado da maceração de diversas plantas. É apreciado como aperitivo, completado com água.

agonia

janeiro 27th, 2010 by rcandido

Agonia

Meu peito se contorce, sinto um terrível e asfixiante enjôo na boca do estômago. Falta-me o ar, me contorcem as vísceras. Sinto sede, sinto fome, sinto-me muito mal. Meu corpo parece querer paz, algum descanso ou alento. Minha alma parece querer deixar o corpo. Não encontro a tranqüilidade que me é tão necessária, nem por um só segundo. A emoção de uma paixão ardente me consome interna e externamente.

O Ar, o ar me falta. Minha garganta úmida e inchada implora por água ou passagem. Uma só baforada de suspiro apaziguador. Um mísero flexionar dos pulmões. Meu peito está apertado, sinto desejo de gritar, e ao mesmo tempo parece me faltar ânimo, as forças necessárias para externar esse grito acuado, essa crítica lacrada… Este desabafar incompleto.

O que fazer? Não sei, minha mente parece enlouquecida em paranóias parvas. Nenhuma confirmação, milhares de dúvidas. Alguns traços de que me falta razão, lógica, de que tudo que penso são mentiras, mentiras minhas e mentiras alheias.

Já não sei o que era, já não sei o que foi, já não consigo prever o que será. Rezo a todos os santos, e como milagre eu pareço ter calma, ainda que momentânea, pois ao ver aquilo que me maltrata o espírito, todas as dores me acometem de uma só vez. Acometem-me como espinhos, todos mirados em meu peito, cortantes como navalhas afiadas, penetrantes como somente são.

Minha alma clama por um só dito, uma só palavra, uma só confirmação, no entanto, mesmo após tantos dias de falas vãs, não mais a espero, embora não deixe nem por um só segundo de esperar. Sou agora, eu mesmo uma dúvida, repleto de outras tantas, incapaz de solucionar nenhum de meus caóticos problemas. É a matemática da vida, dos corações, dos espíritos tolos. A matemática que tanto odeio e que tanto me persegue. Se hoje não rabisco em borrões soados, as páginas riscadas de um caderno mal cuidado, rabisco as páginas de meu peito, de teoremas loucos e paixões acabadas… Que nem mesmo começaram.

Dia 27 de outubro de 2009

16h20min

Por Fábio Acácio de Sousa

Gosto amargo em nossas bocas

janeiro 25th, 2010 by rcandido

Um sabor amargo na boca…

Absinthe Green Fairy Silk Corset

As vezes logo quando se acorda há um gosto amargo em nossas bocas, as vezes após um beijo acompanhado de uma mordida, ou um desprazer acompanhado de um punho cerrado… um pouco de sangue deixa aquele gosto meio amargo, meio salgado, bastante doce… impressões difíceis de serem esquecidas.

Absinthe Lips (lip balm)

O Absinto é conhecido pelo seu gosto amargo, penetrante e marcante. Algumas pessoas o definem como “algo forte demais” ou “muito alcoólico” e se esquecem de que ele deve ser diluído. Quando a agua fresca goteja sobre o absinto um aroma suave e persistente se espalha, o liquido verde escuro e translúcido dá lugar a a um liquido pálido e leitoso.

Fridge Magnet - Absinthe

O Verdadeiro sabor do absinto é algo entre este amargor que deve ser suave porem penetrante, aromas suaves e persistentes, e não deve ter tomado puro jamais… afinal quem quer ter a língua entumescida e dormente antes de ter a chance de sentir o verdadeiro sabor da bebida?

Absinthe Green Sweet Little Flower Earrings

O Absinto recorrentemente tem sido utilizado como inspiração por diversos artistas e artífices em geral, até mesmo em perfumes, clipes musicais e na moda.

Buy One Get One Free - The Youth She Once Possessed  (reproduction print)

Estou curioso para saber qual o sabor do seu absinto, comente, escreva, proteste!

Eduard Manet a Eduard Robert

janeiro 22nd, 2010 by rcandido

De Hipócrates a Ordinaire

Hipócrates, o pai da medicina, receitava uma planta chamada Artemisia absinthium como tratamento para anemia, asma, reumatismo e cólicas menstruais. O primeiro registro documentado da bebida ocorreu em 1769, quando o jornal de Couvet, uma pequeno povoado no Val-de-Travers, um vale localizado na região oeste da Suíça, não muito distante da fronteira com a França, publicou o anúncio de um elixir medicinal fabricado por uma freira, a irmã Henriod, e batizado de “Bon Extrait d’Absinthe” (Bom Extrato de Absinto). O “Extrato” era feito à base de álcool, absinto, anis, erva-cidreira e outros ingredientes secretos. Segundo a religiosa, a bebida era eficaz contra bronquite, febre, problemas digestivos e cólicas.

Em 1792, um médico francês um refugiado da Revolução Francesa de nome Pierre Ordinaire se surpreendeu ao encontrar, nos campos suíços, a famosa espécie que aparecia em seus livros, afinal a Artemisia Absinthium era utilizada como elixir desde o antigo Egito!

Pierre Ordinaire começou a fabricar uma poção composta por 16 ervas, dentre as quais camomila, melissa e anis que aplicou com sucesso em seus pacientes. Como o principal ingrediente era o absinto, seu nome foi dado à droga… Ordinaire logo descobriu que o efeito da mistura poderia ser potencializado em solução alcoólica. Mais precisamente 70% de álcool e 30% da infusão de ervas compunham o elixir.

O princípio ativo fundamental do absinto é uma substância tóxica chamada tuiona, copo todos devem saber ele é capaz de manter as células cerebrais em permanente estado de excitação.

Em 1797, o comerciante Major Henry Dubied comprou a receita secreta da irmã Henriod e criou a primeira destilaria industrial de absinto no Val-de-Travers. Em um reduzido espaço, Dubied, Marcellin (filho de Dubied) e o genro Henri-Louis Pernod, passaram a produzir 16 litros por dia. As vendas do chamado “Pernod Fils”, não foram boas a principio, afinal era bebida de sabor marcante que não agradava a qualquer paladar. Porém o absinto se popularizou e Pernod decidiu abrir sua própria fábrica em Couvet, um povoado da região em 1805.

Ele se expandiu ao fundar a empresa “Pernod Fils” em Pontarlier, na França, transformando depois o país dos vinhos na capital mundial do absinto, e devido ao sucesso de Dubied e Pernod, outras destilarias foram abertas no Val-de-Travers a partir de 1825. Em 1860, uma quinzena deles estava funcionando em Couvet e na virada do século 40 fábricas produziam o absinto em toda a Suíça…

Este ‘Elixir’ segundo alguns se tornou ingrediente decisivo na fase “azul” de Picasso e a “fase amarela” de van Gogh (que dizem as más linguas estava embriagado com absinto quando amputou a própria orelha). Muitas pinturas da época foram dedicadas a Fada Verde como o “Bebedor de absinto”, de Eduard Manet; “Monsieur Boileau no Café”, de Henri de Toulouse-Lautrec; “Bebedor de absinto”, de Jean-François Raffaeli.

Por Cândido Ruiz

(Retornando aos poucos…)

O Velho e o Bar

janeiro 20th, 2010 by rcandido

O Velho e o Bar

As cadeiras daquele bar noturno jaziam quase todas solitárias, sem ter quem lhes aquecesse o acento. Era muito tarde até mesmo para aqueles persistentes jovens que ali jogavam bilhar. O odor intragável de álcool e madeira mofada tornava o ambiente pouco atraente. Mas não menos que as expressões irritadas do proprietário, que silencioso enxugava copos sobre o balcão. Pobre homem, talvez ainda que mal encarado, fosse um pai de família desejoso de descanso. Entretanto, esgotado ou não, agia da melhor forma, sendo sempre cumpridor do seu dever de anfitrião do bar. Era o recepcionista dos de vida vazia; ouvinte atento das lamúrias etílicas de tantos infelizes alcoolizados; analista dos charlatães; doutor dos piores infames; juiz dos homens traídos; algoz dos marginais errantes.
De um rádio velho, notas falhas e arranhadas invadiam os ouvidos de todos os que ali estavam… Era música de má qualidade, mas a mais apropriada aos freqüentadores do bar, pois lhes servia de fonte de agitação em tão soturno estabelecimento.
Havia uma lâmpada macambúzia ali no teto, descia de um fio desencapado que terminava em uma redoma de alumínio amassado. As teias de aranha e os muitos insetos mortos sobre ela impediam que a luminosidade se expandisse da forma esperada, e o bar ficava na parcial penumbra de sempre. Mas talvez fosse o melhor, assim não seriam irritados pela luz, os olhos dos que buscavam na bebida esperança ou sossego.
Num canto escuro, vazio e frio, estava um velho, não era em nada harmônico com o local. Era como se daquela cena não fosse parte verdadeira. Um estranho papel vermelho sobre a resma de brancas folhas. Vestia-se como qualquer idoso, temente de um frio pouco sentido. O bigode lhe cobria os murchos lábios, escorrendo volumoso e prateado. As sobrancelhas caídas quase lhe alcançavam em inclinação, as fundas olheiras sob as empapuçadas pálpebras. Seu rosto enrugado esboçava perfeitamente o cansaço dos anos, o açoite imperdoável do tempo sobre os homens. Mas apesar da ausência total do viço da juventude, era gentil em seu semblante.
Dormia sozinho, o descanso dos jutos. Dormia como velho que era. Repousava em paz, sem temer os perigos do recinto que lhe era de certa forma, tão indiferente. Sorria vez ou outra o idoso, talvez a sonhar com a juventude furtada, ou talvez por qualquer banal motivo, daqueles que somente os velhos sonham. Mas dormia, simplesmente dormia. Os ruídos das inconvenientes bolas de jogo, atritando contra as laterais da mesa de sinuca, não lhe perturbavam em nada, assim como alheios, lhe eram os sons dos copos enxugados pelo dono do bar, e tão bruscamente colocados sobre uma bandeja velha.
Que sonhava o velhinho? Ninguém haveria de saber, pois sobre suas expressões serenas, havia um manto de idades vencidas, e através dele, só mistérios poderiam ser contemplados mas jamais desvendados. Talvez sonhasse com os amores da vida, ou talvez com os sonhos esquecidos, perdidos em um mar de necessidades, obrigações, e as tão terríveis decisões, erradas ou não. Podia sonhar com a vida que vivera, ou com as dores a lhe atormentarem o corpo cansado. Mas então sorria de leve, e dava fim às conclusões possíveis. Sereno sorria, sem tristeza alguma. Sorrisinho tímido de quem só sonha e não pensa muito. Talvez sonhasse com os netos, filhos, ou talvez sonhasse com o desejo disso, se acaso não possuísse nada disso.
Sobre a mesa, solitário estava um copo. Cheirava a uva curtida, já secando sobre o vidro, vinho comum e barato, daquele que se esgotava sobre a prateleira, acima dos copos do armário do bar. Era uma bebida de má qualidade, mas capaz de saciar o desejo de beber. No fundo o restinho se esvaindo no ar, na beirada uma gota a escorrer. Colorida e lenta, rubra e forte, líquido bastante encorpado… Talvez fosse o vinho a melhor companhia do velho, ou ao menos suficiente para lhe arrebatar o espírito e lhe adormecer. Dormindo teria o dia findado, e ainda que lhe fosse curta a estadia naquele bar, poderia alcançar a paz verdadeira, distante dos problemas persistentes de uma longa vida, e das dores do corpo, já exausto de tanto viver.
As horas iam passando, e tristonho dormia o velho. Cochilando fraquinho, lento. E sem razão para despertar. Ia dormindo, sonhando, seguindo seu caminho em devaneios oníricos. A melancolia da senilidade lhe preenchia às vezes a face, roubando a ternura existente em seu abatido rosto. Perdia a face de avô, de pai, tornava-se triste, deprimido, sofrido como ele só… E então, talvez num pulo do pé de goiaba, saltasse sorrindo em sonho. E o velhinho então sorria.
Já se iam os rapazes, o bilhar lhes consumira, e jogando sobre o balcão notas sujas, partiram sem dizer Adeus. Era o fim do repouso, pois deveria partir o anfitrião. Seus convidados se foram para que lhe fosse concedido o descanso merecido. E ao velho, já não mais poderia ser permitido o sono, era tarde, momento de ir. E se era terrível seu caminho, e solitário seu destino, não seriam os homens presentes ali a confirmar… Pois… Não havia mais nenhum…
Dia 20 de janeiro de 2010.
05h05min


Por Fábio Acácio de Sousa

O Amarelo, O Verde e Vincent

janeiro 19th, 2010 by rcandido

Vincent van Gogh

No último domingo às 11:30h da noite Vicent van Gogh, pintor nascido na Holanda, entrou na casa de tolerância nº1, à procura de uma tal de Rachel e lhe entregou sua orelha dizendo- guarde isto cuidadosamente – após o que saiu em disparada .Informada do ocorrido, que só poderia ter sido praticado por um alienado, a polícia foi a sua casa na manhã seguinte e o encontro no seu leito quase sem sinais de vida . O infeliz foi em seguida admitido de urgência no hospício“.

Noticiado no ano de 1889.

A cor amarela era a preferida pelo pintor holandês, particularmente em seus últimos anos de vida, quase que uma obsessão… o amarelo predominava em todas as suas pinturas e inclusive em sua casa, que era toda amarela! Mundialmente conhecida como a “Casa Amarela”, situava-se na Praça Lamartine.

A pesquisa de Paul L. Wolf, da Universidade da Califórnia, indica que a ingestão de absinto e de uma planta chamada dedaleira (ingerida para tratar sua epilepsia) pode ter sido a causa da insistência do uso da cor. O Thujone principio ativo do absinto é uma substância química que contamina o sistema nervoso, a química do efeito da dedaleira e do absinto resulta em uma disfunção que torna a visão amarelada.

Vários médicos revisaram os problemas médicos e psiquiátricos do pintor após sua morte, diagnosticando-o com uma série de problemas, entre os quais esquizofrenia, alem de uma forte intoxicação… Dentre os sintomas da intoxicação está a “xantopsia”, ou seja, a distorção visual que leva seu usuário a ver objetos na cor amarela.

Se observarmos os quadros da série “Os Girassóis”, por exemplo, veremos que a quantidade de girassóis vai aumentando e que o fundo fica mais amarelo à medida que o nível de intoxicação do pintor se eleva, este quadro foi pintado para ornamentar o quarto do pintor.

Vincent trocou paris, uma cidade urbana para se isolar no campo, Paul Gauguin (1848-1903), pintor pós-impressionista, foi o primeiro artista convidado para trabalhar no novo ateliê de van Gogh. Na fatídica noite de 23 de dezembro, por volta das onze e meia, Paul Gauguin resolve sair da “Casa Amarela” para caminhar pelas ruas frias e desertas, ele com certeza não esperava se deparar na escuridão com Van Gogh transtornado e segurando uma navalha…

Pela manhã, avisada por uma prostituta, a polícia o procura na “Casa Amarela” e o encontra no quarto, sem sentidos e ensangüentado. Ele havia amputado a própria orelha e entregue a esta prostituta. Então os policiais o removem para o Hospital Municipal de Arles. No hospital de Arles, van Gogh é atendido pelo Dr. Félix Rey(1867-1932), que lhe sutura a orelha cortada.
Van Gogh registrou sua passagem pelo hospital pintando também o pátio interno e a enfermaria. O Dr. Félix Rey diagnosticou epilepsia psico-motora.

Os moradores de Arles estavam amedrontados com o jeito introspectivo de van Gogh e com suas fases maníacas e depressivas. Extremamente constrangido por saber que as pessoas não o queriam na cidade, vontade que foi expressa até mesmo em um abaixo-assinado entregue ao prefeito de Arles, o pintor se interna voluntariamente em uma casa de saúde localizada na cidadezinha próxima chamada Saint-Rémyde-Provence.

Usufruindo de liberdade para andar pelos arredores da clínica, van Gogh começa a pintar os locais por onde passa, a própria clínica, pacientes, o enfermeiro e superintendente do hospício e até mesmo a cidade. Com a permissão de Trabuc (superintendente do hospício), Van gogh sai à noite para ver Saint-Rémy e pinta “A Noite Estrelada”, alguns detalhes interessantes dessa pintura são as galáxias circunvolutas e os ciprestes agitados em forma de labaredas e tanto a lua quanto as estrelas ganham a cor laranja (acho que não se fazem necessários muitos detalhes pra chegarmos a uma conclusão não?).

Na época, os psiquiatras tratavam seus pacientes com Digitális purpúrea, vegetal do qual é feita a digitalina, largamente usada como cardiotônico. Não é, portanto, um medicamento psiquiátrico, afinal ele aumenta a contratilidade cardíaca e os cardiologistas têm que usá-lo com todo o cuidado para não exceder na dose, o que pode causar intoxicação, taquicardia, palpitações, vertigens, alucinações e adivinhem só… “xantopsia”!

A morte de Vincent van Gogh, ocorreu em 29 de julho de 1890, dois dias após uma tentativa de suicídio com um tiro no peito… Alguns dias depois de pintar Campo de Trio com Corvos (1890), van Gogh sente-se extremamente deprimido e retorna à tarde ao campo de trigo, onde dá um tiro no peito. A bala perfura-lhe o tórax e faz um pneumotórax, mas não lesa grandes vasos. Ele consegue voltar para o quarto e se deita sem dizer nada a ninguém.


Madame Ravoux, proprietária do café localizado no andar térreo do prédio onde ele está residindo, percebe sua ausência no café da manhã, vai ao quarto e o encontra moribundo. Ela chama o Dr. Gachet, que já é o responsável por seu tratamento a algum tempo e comunica o ocorrido a Theo van Gogh, irmão de Vincent.

Van Gogh não resiste, sendo seu corpo sepultado em 30 de julho de 1890.


*30 de março de 1853 – †29 de julho de 1890

Tenho… uma terrível necessidade… direi a palavra?… de religião. Então saio pela noite e pinto as estrelas”. Vincent van Gogh

Por Cândido Ruiz